Opinião
Mato Grosso quer crescer
Publicado em: 20 de maio de 2021
Autor:Vivaldo Lopes

O salto qualitativo que a logística de transportes de Mato Grosso precisa para consolidar seu futuro de maior estado agropecuário e industrializador de alimentos do Brasil depende da implantação de cinco projetos bilionários que vão promover uma nova revolução produtiva no estado. Todos esses projetos aguardam os procedimentos finais por parte do governo federal para saírem do papel e transformarem a realidade econômica do estado. São as três ferrovias, Ferrovia de Integração Centro Oeste (Fico), a ferrovia Vicente Vuolo (Malha Norte), a Ferrogrão, a privatização do trecho da rodovia BR 163 de Sinop (MT) até o porto fluvial de Miritituba (PA) e a implantação da internet de quinta geração (5G). Todos os projetos serão executados com capital privado. Não precisam de recursos públicos federais ou estaduais. Precisam apenas de autorização da administração federal.

A Fico, um trecho de 393 km que ligará a cidade de Mara Rosa, em Goiás a Água Boa (MT) será totalmente construída pela mineradora Vale, como pagamento pela prorrogação, por mais 35 anos, da concessão da ferrovia Vitória-Minas. O investimento previsto é de R$ 8,7 bilhões.

 

 

 

 

Após construída, a Vale entregará a ferrovia ao governo federal que procederá o leilão da concessão para um operador privado. Assume importância estratégica por fazer a ligação de Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul, permitindo exportações pelo porto de Itaqui, no Maranhão. A ferrovia Vicente Vuolo, um trecho de 630 km que vai de Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com um importante terminal em Cuiabá, já tem recursos alocados pela Rumo Logística, que já tem a concessão da malha norte até Rondonópolis. Executivos da Rumo se esforçam para convencer o Ministério da Infraestrutura que o ramal Rondonópolis-Cuiabá-Lucas faz parte da concessão que a empresa já opera. Aguarda apenas autorização da ANTT e do Ministério da Infraestrutura para iniciar as obras.  O novo traçado demandará investimentos de R$ 10 bilhões.

A Ferrogrão, um dos maiores projetos de infraestrutura do país, exigirá investimento de R$ 21,5 bilhões, que serão efetuados por empresa ou consórcio de empresas que conquistar a concessão de 35 anos em leilão público. A ferrovia vai ligar Sinop aos portos de Miritituba e Santarém, no Pará. Por ser uma ferrovia ponta-a-ponta, isto é, somente terá geração de caixa quando totalmente pronta, o governo federal achou prudente criar um fundo financeiro de proteção contra possíveis perdas até o ano de 2045. É o único que prevê a utilização parcial de recursos públicos. O projeto foi paralisado por uma liminar do STF, pedida em ação movida pelo Ministério Público Federal, sob alegação da necessidade de mais debates com as comunidades indígenas para mensuração e mitigação dos impactos sociais e ambientais. O leilão de concessão da rodovia BR 163, no trecho entre Sinop-Miritituba está marcado para o dia 08 de julho próximo, na Bovespa (B3). A empresa que vencer terá de investir R$ 4,0 bilhões nos próximos 5 anos em melhorias, ampliações e manutenção da rodovia.

A internet de última geração, chamada de 5G, tem sua implantação prevista para 2022 em todo o país. No estágio atual dos negócios, é uma infraestrutura econômica imprescindível para a agropecuária, comércio e indústria que, cada vez mais, dependem de ambiente virtual veloz e seguro que permita a utilização das mais modernas tecnologias para a realização de negócios.

Em seu conjunto, os projetos vão incorporar mais 2.000 km à malha ferroviária do país, e melhorar as operações da BR 163, rodovia por onde trafega quase toda a produção agrícola e industrial do estado e irrigar o PIB do estado com R$ 44 bilhões de investimentos até 2030. Em operação, o choque logístico vai contribuir expressivamente para reduzir custos, melhorar a produtividade, aumentar a produção agropecuária e acelerar o processo de industrialização da economia estadual. Mato Grosso deve dobrar sua produção agropecuária até 2030, chegando à fantástica marca de 150 milhões de toneladas de grãos, além das carnes, etanol e outros produtos primários e processados. Há necessidade de industrializar boa parte dessa produção aqui mesmo, exportando para outras regiões e países produtos com maior agregação de valor.

O momento é propício e estratégico para o salto logístico que está desenhado para Mato Grosso. Faz-se necessário, no entanto, a união de forças para torná-lo realidade. Conspira a favor o fato de que os maiores líderes políticos, empresariais e do agronegócio apoiam e também contam com declarado apoio do presidente Jair Bolsonaro. É preciso transformar esse apoio recíproco em projetos impulsionadores do desenvolvimento econômico e social do estado.

Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em  MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP  (vivaldo@uol.com.br).

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