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Página - Retorno das aulas no início de maio preocupa prefeitos de Mato Grosso

Retorno das aulas no início de maio preocupa prefeitos de Mato Grosso

Efeito de Onda

Página Retorno das aulas no início de maio preocupa prefeitos de Mato Grosso

  • 23/04/2020 às 12:02

Fonte: Agência de Notícias da AMM

Crédito: Freepik

As novas medidas a serem adotadas em Mato Grosso, de acordo com o Decreto do Governo do Estado publicado nesta quarta-feira (22), estão sendo avaliadas pelos prefeitos e pela Associação Mato-grossense dos Municípios – AMM. A abertura gradual do comércio, com os devidos cuidados sanitários, já vem sendo adotada nos municípios, considerando que a retomada é importante para movimentar a economia, manter os empregos e as fontes de receitas, mas a possibilidade de retorno das aulas no dia 4 de maio, que consta no Decreto Estadual, está preocupando muitos prefeitos, que temem a disseminação do novo coronavírus nos municípios.

De acordo com o documento, se a taxa de ocupação dos leitos públicos exclusivos para pacientes com a Covid-19 continuar inferior a 60%, as atividades escolares poderão ser retomadas a partir do dia 4. O Decreto apenas orienta os gestores, pois o Tribunal de Justiça já decidiu que as medidas restritivas para combate à pandemia são de competência dos municípios.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios – AMM, Neurilan Fraga, disse que entende a preocupação dos prefeitos, pois haverá aglomeração nas escolas, as crianças poderão ser contaminadas e, consequentemente, transmitir o vírus para os familiares, inclusive para pessoas do grupo de risco. “Concordamos com a abertura gradual do comércio, obedecendo todos os cuidados necessários preconizados pelas autoridades de saúde, mas com relação às aulas, a maioria dos prefeitos já sinalizou  que não está de acordo com o retorno nos próximos dias, considerando o risco de contágio que ocorre de forma muito rápida”, assinalou.

A disseminação do vírus nas reservas indígenas também preocupa, pois vários municípios possuem essas áreas, onde os índios se encontram isolados, sem contato com a população de outras localidades. Porém, com o retorno das aulas, os indígenas vão interagir com outras crianças e poderão levar o contágio para as aldeias, onde a população é mais vulnerável a doenças respiratórias, que causam muitas mortes nas comunidades nativas. “Já há alerta de pesquisadores sobre o alto risco nas comunidades indígenas se não houver medidas de contenção”, assinalou Fraga.

O presidente da AMM salientou, ainda, que muitos profissionais da educação estão no grupo de risco e não poderão frequentar as salas de aula, situação que poderá gerar a necessidade de substituição desses professores, por meio de um planejamento bem elaborado dos prefeitos, considerando o aumento de custos financeiros para as administrações municipais. “Há ainda a preocupação com os moradores da área rural, que são mais simples, e que estarão mais vulneráveis à contaminação, com o retorno das crianças às escolas”, frisou, destacando que muitos pais já avisaram os  prefeitos que não vão deixar os filhos voltarem para a sala de aula por enquanto devido ao risco de contaminação.

A AMM está em contato com a Secretaria de Estado de Educação, e outras instituições estaduais, para debater, juntamente com os prefeitos, uma data mais propícia para o retorno, minimizando os riscos de contágio e de sobrecarga do sistema de saúde pública.

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