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Página - População precisa conhecer defesa civil de suas cidades, dizem especialistas

População precisa conhecer defesa civil de suas cidades, dizem especialistas

Efeito de Onda

Página População precisa conhecer defesa civil de suas cidades, dizem especialistas

  • 11/08/2022 às 07:57

Fonte: Agência Senado

Crédito: Prefeitura de Rondonópolis

A necessidade da população de conhecer os órgãos de defesa civil e os aplicativos e números de telefone para se cadastrar e receber alertas de riscos de desastres ambientais foi apontada em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) nesta quarta-feira (10). O debate, requerido pelo senador licenciado Rodrigo Cunha (PSDB-AL), teve o objetivo de ouvir especialistas e apontar caminhos sobre tecnologias disponíveis para evitar tragédias ou mitigar as consequências de calamidades. 

A reunião foi conduzida pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN), que destacou a importância, também, de regulação, fiscalização, punição de crimes, monitoramento e conscientização sobre os riscos de desastres, tanto de origem natural quanto humana. Segundo ele, a escassez de recursos financeiros e de estrutura dos órgãos de controle é o pior da tese do “Estado mínimo”, sendo essa uma das grandes lutas dos senadores, “independentemente de matiz política”. 

— Que tenhamos o Estado necessário, e não o mínimo, atendendo aos cidadãos em suas necessidades básicas — defendeu. 

Educação

Jean Paul considerou também uma necessidade a educação sobre o meio ambiente e os riscos de desastres naturais voltada para os cidadãos e quis saber se (e como) as instituições de ensino dão instruções sobre esse tema para os estudantes. Ao ressaltar a importância da atuação de órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Regional, Jean Paul destacou que todas as pessoas devem se cadastrar nos aplicativos e números de telefone das instituições de defesa civil, a fim de serem alertadas sobre a iminência de desastres ambientais, conforme disse, comuns em várias partes do país. 

— Na ponta, vocês, dos ministérios e órgãos de defesa civil, estão sempre ali, alertando, e é importante fazermos mais campanhas de conscientização, para que a população se cadastre nesses instrumentos e fique informada sobre os riscos que estão à volta de todos nós — declarou. 

Ferramentas digitais

Coordenadora-geral de Monitoramento Ambiental do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia do Ministério da Defesa, Edileuza de Melo Nogueira disse que um trabalho coordenado e integrado é feito, dando aos usuários a chance de saberem dos riscos com antecedência, por meio de ferramentas sem custos altos, por se tratarem de softwares livres. Por meio do Sistema Integrado de Monitoramento e Alerta Hidrometeorológico (hidro.sipam.gov.br), o cidadão pode saber, por exemplo, como estão níveis de rios, estimativas de chuvas, bem como focos de calor e localização de satélites. 

— Estamos migrando dessa versão da página para uma nova. Então, alguns módulos podem estar momentaneamente fora, por conta dessa migração. Mas todos os módulos estão disponíveis aos usuários — informou. 

O coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério do Desenvolvimento Regional, Tiago Molina Schnorr, destacou o uso de ferramentas como o Telegram, ainda em processo de testes. Ele mencionou que um levantamento de boas práticas aplicado pela União em escolas estaduais e municipais tem atualmente cerca de 80 ações catalogadas, divididas em áreas temáticas do meio ambiente. 

Em resposta a questionamento de Jean Paul Prates, ele afirmou que o governo tem usado esse banco de dados e atuado para estimular as práticas educativas sugeridas entre os estudantes, de modo a diminuir os riscos a que muitos brasileiros estão expostos. 

— Mas nossa principal recomendação é sempre todo cidadão procurar a defesa civil do seu município, porque é por meio dela que a população vai conhecer os programas de prevenção, os planejamentos, o mapeamento, os abrigos públicos para procurar em casos de desastres e serem mais bem atendidas. 

Poucos recursos

A diretora substituta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Regina Célia dos Santos Alvalá, representou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações na audiência pública. Ela relatou que a pasta tem sofrido com a diminuição de recursos humanos e orçamentários, mas afirmou que o governo trabalha em sinergia. Citou, como exemplo, parceria com a Cruz Vermelha para ações de redução de riscos de desastres e atendimento a esses incidentes. 

Segundo Regina, o monitoramento climático é feito 24 horas por dia, durante toda a semana, e há reuniões mensais de avaliação e previsão de impactos com origem em chuvas, geografia e clima, de modo a prevenir desastres ambientais no país. Ela informou que a próxima reunião está marcada para o dia 18 de agosto, às 14h30, e poderá ser acompanhada em tempo real, por meio do link https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/reuniao-impactos-cemaden:

 — O Cemaden trabalha com pesquisa e ininterruptamente monitorando extremos que vão de cheias a temporadas de secas, e se inserem num quadro de significativos impactos para a sociedade e a economia. Mas o órgão tem carência de recursos humanos para ampliar as regiões de monitoramento pelo país, e a pasta tem sido impactada pelo contingenciamento de recursos financeiros, especialmente os destinados à manutenção das redes de observação — comentou. 

Incêndios

Presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Retardantes de Chama (Abichama), Sylvio do Carmo considerou que “a maior tragédia dos incêndios é saber que eles poderiam ser evitados”. Ele pediu a reativação da Frente Parlamentar Mista de Segurança Contra Incêndio, que chegou a ser instalada no Congresso Nacional em novembro de 2019, mas teve as atividades paralisadas após a pandemia de covid-19. 

Jean Paul mencionou o incêndio na Boate Kiss, ponderando que o desastre, de natureza humana, seria um dos que poderiam ter sido evitados no país. Ocorrido na cidade de Santa Maria (RS), na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, o desastre deixou 242 pessoas mortas e outras 636 feridas. O parlamentar se colocou à disposição para ajudar na reativação da comissão do Congresso Nacional sugerida por Sylvio do Carmo. 

Covid-19

Ao fim da audiência, Jean Paul Prates observou que, nesta terça-feira (9), 365 pessoas morreram de covid-19 no Brasil. Ele ressaltou a importância de a sociedade continuar dando atenção aos cuidados com a doença, com o uso de álcool em gel e máscaras, e pediu que a população dê continuidade à busca por todas as doses da vacina, junto aos postos de aplicação. 

— Temos gente que não se vacinou ou negligencia a segunda, a terceira dose. Mas não podemos nos descuidar — alertou.

 

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