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Página - Plenário adia votação de projeto que permite venda de créditos públicos

Plenário adia votação de projeto que permite venda de créditos públicos

Efeito de Onda

Página Plenário adia votação de projeto que permite venda de créditos públicos

  • 13/09/2016 às 09:25

Autor: Agência Senado

Crédito: Waldemir Barreto

O Plenário do Senado não chegou a acordo nesta segunda-feira (12) sobre o projeto que permite à administração pública vender para pessoas jurídicas privadas os direitos sobre créditos de qualquer natureza. O PLS 204/2016 não foi votado e pode retornar para as comissões da Casa.

O senador João Capiberibe (PSB-AP) apresentou requerimento para retirar o projeto do regime de urgência e enviá-lo de volta para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), de onde a matéria saiu sem parecer. O senador argumenta que não há razões para apressar a tramitação da proposta, e disse temer as consequências de uma análise precipitada.

— É um projeto cheio de controvérsias e difícil de ser entendido. Se não houver modificação da forma como ele está colocado, poderá ser um projeto inconstitucional. Estou protocolando o requerimento para que a gente possa debater melhor — explicou Capiberibe.

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que conversou com o relator do projeto, senador Paulo Bauer (PSDB-SC), e chegou a um acordo para promover uma discussão mais abrangente sobre o tema antes da decisão final.

Conteúdo

A permissão para venda de créditos, criada pelo projeto de lei, vale para todos os entes da federação e busca aumentar a arrecadação da União, dos estados e dos municípios. O texto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que argumenta que a prática de se desfazer de créditos sem liquidez reforça o caixa das unidades federativas.

De acordo com o texto, a venda não pode alterar as condições de pagamento já estabelecidas para o crédito e nem transferir para o setor privado a prerrogativa de cobrança judicial - que deve permanecer com o poder público. Os créditos cedidos não precisam estar inscritos na dívida ativa, mas devem corresponder a operações definitivas e ser efetivamente reconhecidos pelo devedor (por meio da formalização de parcelamento).

Além disso, a operação não pode acarretar nenhum compromisso financeiro para a administração pública, como a eventual responsabilização pelo pagamento futuro.

O relatório de Paulo Bauer, um substitutivo, exige autorização do ministro da Fazenda, no caso da União, e do chefe do Executivo, no caso dos demais entes federados, para que a transferência dos direitos de crédito seja efetivada.

Críticas

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que a proposta regulariza práticas que, em sua opinião, já se provaram equivocadas quando implementadas em outros lugares.

— Esse tipo de projeto foi realizado na Grécia em 2010, para resolver o problema de caixa, que era de 105% sobre o PIB, e em 2015, tinha saltado para 184%. A Grécia tinha vendido todo o seu patrimônio, estava entregando ilhas para a Alemanha, tinha liquidado as empresas estatais e acabado com a aposentadoria. Acho que temos de olhar isso com mais cuidado — alertou.

O tema também foi discutido na manhã desta segunda-feira numa audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Os especialistas convidados pediram a rejeição do projeto, que classificaram como um “esquema para falsear a venda de créditos incobráveis”.

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