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Página - Municípios enfrentam desafio para reduzir desigualdade racial na aprendizagem

Municípios enfrentam desafio para reduzir desigualdade racial na aprendizagem

Efeito de Onda

Página Municípios enfrentam desafio para reduzir desigualdade racial na aprendizagem

  • 26/03/2026 às 14:31

Fonte: Agência de Notícias da AMM

Crédito: Vicente de Souza

Reduzir a desigualdade entre estudantes negros e brancos segue como um dos principais desafios da educação pública no país. Em Mato Grosso, a dificuldade em avançar na chamada “condicionalidade três” do VAAR (Valor Aluno Ano Resultado), que trata justamente da redução das desigualdades, acende um alerta sobre a necessidade de enfrentar o problema de forma mais direta dentro das escolas. O assunto foi tratado nesta quinta-feira (26), durante o II Encontro Mato-grossense de Municípios, realizado no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.

A discussão ganhou força a partir da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), que tem como foco justamente reduzir essas desigualdades no ambiente escolar. 

O tema foi abordado no painel sobre “Práticas Educacionais para a Equidade”. A professora e doutoranda Rosana de Arruda, uma das palestrantes do encontro, explicou que o principal gargalo hoje está na diferença de aprendizagem entre alunos negros e brancos, evidenciada por avaliações como o Saeb.

“O que se observa é uma lacuna significativa. Enquanto muitos alunos brancos avançam nos níveis de aprendizagem, parte dos alunos negros permanece nos níveis iniciais. A política vem justamente para enfrentar essa desigualdade com práticas pedagógicas direcionadas”, afirmou.

Segundo ela, a proposta é simples na teoria, mas exige mudança na prática: monitorar o desempenho dos alunos com recorte racial, identificar onde estão as defasagens e atuar de forma direta para garantir evolução ao longo do ano letivo.

Além disso, a política também prevê formação de professores, apoio técnico aos municípios e ações pedagógicas que reforcem a identidade dos estudantes, como a presença de representatividade nos materiais didáticos.

Em Mato Grosso, sete municípios foram identificados como prioritários por apresentarem maior dificuldade em avançar nesse indicador, o que reforça a necessidade de atenção por parte das redes de ensino.

A representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carmen Siqueira Leite, destacou que o debate vai além de indicadores educacionais e precisa ser tratado como uma questão de justiça.

“Não estamos falando apenas de avanço na educação, mas de equidade. Os dados mostram que a população negra ainda está em desvantagem. Se esse grupo não avança, não podemos dizer que o sistema educacional é bem-sucedido”, afirmou.

Ela ressaltou que, apesar da melhora nos índices gerais da educação, ainda há um descompasso quando se observa o desempenho por recorte racial, o que evidencia a necessidade de políticas específicas.

A PNEERQ, instituída no fim de 2024, surge justamente para enfrentar essa distorção histórica, articulando ações dentro das redes de ensino e promovendo a inclusão da temática étnico-racial no cotidiano escolar.

A proposta é garantir não apenas o acesso e a permanência dos estudantes, mas também o sucesso escolar, com foco na redução das desigualdades e na promoção de uma educação mais justa.

Para os municípios, o desafio agora é transformar diretrizes em prática e garantir que nenhum estudante fique para trás.

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