Seção de atalhos e links de acessibilidade

Seção do menu principal

Página - Especialistas divergem sobre PEC do teto de gastos públicos

Especialistas divergem sobre PEC do teto de gastos públicos

Efeito de Onda

Página Especialistas divergem sobre PEC do teto de gastos públicos

  • 13/09/2016 às 09:14

Fonte: Agência Câmara Notícias

Crédito: Rodolfo Stuckert

Os presidentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ernesto Lozardo e Murilo Portugal Filho, defenderam a aprovação da proposta de emenda à Constituição do Novo Regime Fiscal, que estabelece um teto para os gastos públicos. Já a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli, denunciou que a medida garante recursos para financiar escândalo com uso de estatais.

Lozardo disse que a PEC é a "pedra fundamental" para outras reformas.

"A PEC não é tudo que nós precisamos, mas é fundamental para pôr ordem nos gastos públicos. Se isso acontece é possível avançar na reforma da previdência. Tudo mais fica possível, mas sem a PEC tudo se torna impossível de se realizar e o País vai continuar empobrecendo."

Para Lozardo, o Brasil cometeu erros macroeconômicos nos últimos anos ao estimular o consumo de maneira muito rápida como modelo de crescimento. Segundo ele, o resultado da política foi o endividamento das famílias que está em quase 45% da renda familiar, quando em 2006 era 20%.

Para Murilo Portugal Filho, a PEC pode representar para a política fiscal o que o Plano Real representou para a política monetária. Portugal foi secretário do Tesouro de 1992 a 1996, durante a criação do Plano Real. Um estudo do FMI, citado por Portugal, chegou à conclusão que os 26 países que adotaram o teto de gastos de um total de 57 tiveram resultados melhores para controlar as contas públicas.

Já a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli, denunciou que a medida congela somente gastos sociais enquanto garante recursos para estatais não dependentes do Tesouro Nacional, como Eletrobras e Petrobras. Segundo Lúcia Fatorelli, estados e municípios criaram essas estatais para emitir debêntures - títulos usados para captar recursos com compromisso de pagamento de juros - e beneficiar assim alguns poucos investidores.

"A criação de empresas estatais, que já está acontecendo em diversos estados e municípios. Um verdadeiro esquema financeiro destinado a emitir papéis financeiros, debêntures, que são vendidas para investidores privilegiados, com desconto brutal."

Para Maria Lúcia Fattorelli, a prática dessas estatais é "ilegal e imoral" e garante a transferência de dinheiro público para investidores privilegiados. Algumas estatais estariam vendendo as debêntures com juros de 23%.

O relator da proposta, deputado Darcísio Perondi, do PMDB gaúcho, afirmou que a PEC ajudará a União a evitar chegar à condição de "absoluta irresponsabilidade fiscal" em que estão Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para o deputado Patrus Ananias, do PT mineiro, o caminho proposto pela PEC do Novo Regime Fiscal é perverso porque desmonta benefícios sociais como o Bolsa Família.

O presidente da comissão, deputado Danilo Forte, do PSB cearense, diz que independentemente do caminho a ser seguido, há um consenso entre os parlamentares de uma necessária tomada de posição.

Câmara dos Deputados
finanças
gastos públicos
PEC
active
Plugin