Página - Especialista destaca a importância de preparar cidades e profissionais para o envelhecimento da população
Especialista destaca a importância de preparar cidades e profissionais para o envelhecimento da população
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Página Especialista destaca a importância de preparar cidades e profissionais para o envelhecimento da população
Crédito: Divulgação AMM
O único grupo etário que cresce no Brasil é o de pessoas com mais de 60 anos. Embora o envelhecimento populacional avance de forma acelerada, a sociedade e a gestão pública ainda enfrentam desafios significativos para lidar com essa nova realidade.
Para lançar luz sobre essa temática e ampliar o debate sobre as medidas a serem adotadas para amparar a população idosa crescente, a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) sediou nesta quinta-feira (12) uma palestra ministrada pelo presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, médico gerontólogo Alexandre Kalache.
O evento foi realizado pela Comissão de Amparo à Pessoa Idosa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com o apoio da AMM, e contou com a participação de prefeitos, representantes do Poder Judiciário, do Governo do Estado, entre outros segmentos.
Durante a apresentação, Kalache alertou sobre a necessidade de investir em políticas públicas para garantir direitos, integração e bem-estar dos idosos. “Hoje temos 33 milhões de pessoas idosas no Brasil. Em 2050 serão 68 milhões. É mais que o dobro em 25 anos e cada vez mais vamos ter pessoas envelhecendo nas cidades e as cidades não estão preparadas”, assinalou.

Entre os desafios a serem superados está o preparo dos profissionais de saúde para esse novo cenário social. “Todos os profissionais de saúde precisam aprender mais sobre o envelhecimento”, ponderou, apontando para o déficit de médicos especialistas para acompanhar essa parcela da população que em 2070 vai representar 37,8% dos brasileiros, conforme projeção do IBGE.
Kalache também mencionou a importância de combater o idadismo, o preconceito baseado em estereótipos negativos que atinge as pessoas por conta da idade. “A primeira obrigação que todos temos é a luta contra essa discriminação, mas não basta não ser idadista. É necessário ser anti-idadista”, observou.
O médico sugeriu aos gestores públicos que façam um estudo do Marco Político do Envelhecimento Ativo da Organização Mundial da Saúde (OMS), lançado quando Kalache foi diretor da organização. “Ali está definido o que é o envelhecimento ativo e como preparar as cidades e as regiões mais remotas, pois vamos ter cada vez mais brasileiros envelhecendo”, assinalou. O conjunto de diretrizes, que inspira políticas públicas em todo o mundo, define quatro pilares para um envelhecimento ativo: saúde, aprendizagem ao longo da vida, participação e segurança/proteção.

O presidente da AMM, Leonardo Bortolin, parabenizou o Tribunal de Justiça (TJ/MT) pela realização da palestra, que contribuiu para o debate sobre as medidas a serem adotadas para garantir amparo e suporte social aos mais velhos. “Agradecemos o Tribunal de Justiça por mais essa parceria, que fomenta a discussão sobre um tema importantíssimo para a sociedade. Liderada pelo desembargador Orlando Perri, que tem sido um grande protagonista na defesa dos direitos dos idosos, essa iniciativa traz a Mato Grosso uma palestra necessária, com um especialista de renome internacional, que nos ajudou a refletir sobre o tema”, frisou.

O presidente da Comissão de Amparo à Pessoa Idosa do TJMT, desembargador Orlando Perri, ressaltou a necessidade do planejamento de ações governamentais para proteção aos idosos, que estão mais sujeitos a vulnerabilidades e riscos sociais. “Nos empenhamos para que mais gestores participassem dessa palestra, considerando a importância de formatar políticas públicas efetivas. As estatísticas apontam para essa necessidade, pois a projeção é que em 2050 teremos 68 milhões de idosos no Brasil, e em 2070 para cada 170 idosos, haverá 100 jovens”, frisou.
AMM e TJ também são parceiros em outros projetos sociais, como a construção de Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpis) em cinco municípios mato-grossenses: Várzea Grande, Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Água Boa. Os projetos estão em andamento e poderão servir de modelo para outros municípios mato-grossenses, podendo ampliar a rede de proteção a idosos em todo o estado.
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