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Página - Confederação pede ação do STF contra bloqueio de recursos por causa de precatórios

Confederação pede ação do STF contra bloqueio de recursos por causa de precatórios

Efeito de Onda

Página Confederação pede ação do STF contra bloqueio de recursos por causa de precatórios

  • 24/04/2019 às 09:49

Fonte: Agência CNM

Crédito: Dorivan Marinho

Diante do bloqueio e sequestro de recursos dos Municípios — até mesmo de contas vinculadas — devido a precatórios, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Glademir Aroldi, participou de audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) com o ministro Marco Aurélio no início da noite da terça-feira, 23 de abril. O objetivo é sensibilizar a Corte sobre a impossibilidade financeira das prefeituras de arcar com o pagamento sem que o governo federal cumpra a Emenda Constitucional (EC) 99/2017.

“Como os Municípios não conseguem pagar, a justiça determina o sequestro de valores, inclusive de contas vinculadas. Mas essas contas recebem transferências dos Estados e da União para finalidades específicas, como merenda, medicamentos”, destaca Aroldi. A audiência no STF tratou do caso de Fontoura Xavier (RS), que está com quase R$ 1 milhão bloqueados por determinação judicial. Esse problema, no entanto, é recorrente entre os Municípios brasileiros, que juntos devem R$ 40 bilhões em precatórios.

Para o presidente da CNM, a solução é que o governo federal, por meio de suas instituições financeiras, abra linhas de crédito para Estados e Municípios, como prevê a EC 99/2017. “Assim, haverá juros adequados e tempo maior para pagar, e os Municípios conseguirão, com uma prestação menor, pagar esse compromisso.” Essa demanda, considerada urgente pela Confederação, foi apresentada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na XXII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.

A garantia de pagamento à União nessas linhas de crédito seriam os Fundos de Participação dos Estados (FPE) e o dos Municípios (FPM). “Esse dinheiro [R$ 40 bilhões] seria injetado na economia do País. As pessoas receberiam à vista seus precatórios e usariam para comprar eletrodomésticos, fazer melhorias em suas residências, por exemplo”, avalia Aroldi.

Fontoura Xavier (RS)
O encontro ocorreu no gabinete do ministro Marco Aurélio, porque cabe a ele a relatoria da reclamação protocolada no Supremo pelo Município de Fontoura Xavier (RS). O documento visa a desbloquear os valores das contas vinculadas do Município e fixar o pagamento de precatórios em valor equivalente a 1,5% da Receita Corrente Líquida (RCL). Também participaram da reunião o prefeito José Flávio Godoy da Rosa e os deputados Giovani Cherini (PR-RS) e Marcon (PT-RS).

Precatórios são dívidas que o poder público tem com o cidadão ou empresas, por determinação judicial. Os gestores de Fontoura Xavier apresentaram planos de pagamento de precatórios ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, mas, segundo o prefeito José Flávio Godoy da Rosa, não houve respostas. Primeiro foi proposto o valor mensal de R$ 25 mil. Depois, ciente de uma quantia mínima equivalente a 1,5% da RCL, o Município propôs R$ 40 mil por mês. Por fim, foi ofertado o pagamento de R$ 50 mil mensais, o que representa 2,17% do orçamento de 2019 de Fontoura Xavier.

“A população precisa muito da prefeitura. Não é dinheiro livre que está bloqueado, é dinheiro enviado pelo governo federal para melhorias sanitárias domiciliares, repasses do Estado para comprar medicamento para pessoas com câncer”, exemplifica o gestor, destacando que os valores de contas vinculadas não são disponíveis ao Município, pois devem ser aplicados em ações específicas.

Fontoura Xavier tem cerca de 11 mil habitantes. De acordo com o prefeito, o orçamento local é extremamente limitado e o apelo ao STF é uma maneira para cumprir as obrigações, inclusive de precatórios, mas sem deixar a população desassistida em outras áreas, como saúde e educação. “Se não tiver uma medida jurídica pra isso, não temos como administrar. Tentamos negociar, fizemos propostas para pagar, mas o tribunal mesmo assim fez o bloqueio dos recursos”, completa.

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