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Página - Comissão mista do Congresso debate regulamentação da Lei Kandir

Comissão mista do Congresso debate regulamentação da Lei Kandir

Efeito de Onda

Página Comissão mista do Congresso debate regulamentação da Lei Kandir

  • 27/09/2017 às 18:00

Fonte: Agência de Notícias da AMM

Crédito: TV Senado

Foi realizada nesta quarta-feira (27), em Brasília, a segunda audiência pública para debater a regulamentação da lei complementar 87/1996 (Lei Kandir), que isenta da incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) as exportações de produtos não industrializados. O debate foi promovido pela Comissão Mista Especial do Congresso Nacional, com a participação de governadores, senadores, deputados, representantes do governo federal e de várias instituições. O governo do estado de Mato Grosso foi representado pelo vice-governador Carlos Fávaro.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios - AMM, Neurilan Fraga, participou da audiência, cujo objetivo foi debater a proposta de compensação do ICMS que contemple os estados exportadores de forma adequada. Fraga ressaltou que o governo federal tem a obrigação de fazer a compensação financeira justa aos estados exportadores da produção primária ou semielaborada, afetados com as desonerações impostas pela lei.

Neurilan destacou que a ausência da compensação plena das perdas tem criado prejuízos enormes aos estados brasileiros exportadores de produtos primários. “Somente Mato Grosso deixou de arrecadar em 2016, cerca de R$ 5,5 bilhões e teve uma compensação de apenas R$ 400  milhões. Como a riqueza do estado está baseada na exportação primária do agronegócio, essas perdas fazem com que o governo e os municípios fiquem sem possibilidade de fazer investimentos e consequentemente melhorar a prestação de serviços à população”, frisou.

Neurilan questionou o ministro da Fazenda em exercício, Eduardo Guardia, que disse, durante a audiência, que o ministério não reconhece os números apresentados que apontam as perdas dos estados. “Causou surpresa que o ministro coloque em dúvida os números, pois os dados são oficiais, pesquisados em vários institutos, secretarias de fazenda, e outros órgãos. Acredito que o Congresso Nacional não vai ser subserviente ao ministério da Fazenda, que não quer reconhecer as perdas dos estados”, assinalou. Fraga disse que a restituição que o ministério sugere inicialmente, de cerca de R$ 4 bilhões, unindo as compensações da Lei Kandir e do FEX, está bem distante da realidade dos estados. “Em Mato Grosso, por exemplo, as perdas foram de cerca de R$ 40 bilhões nos últimos anos”, frisou.

Fraga apresentou proposta da instituição de que a compensação das perdas seja de 100% do que os estados e municípios deixaram de arrecadar com a vigência da lei, ainda que seja de forma parcelada, sendo de 20% no primeiro ano, 40% no segundo, 60% no terceiro, 80% no quarto, fechando os 100% no quinto ano de compensação. O presidente da AMM disse que acredita que o Congresso Nacional fará justiça na compensação, invertendo a lógica do Pacto Federativo, que penaliza os municípios, que ficam com a menor fatia do bolo tributário nacional.

A AMM tem acompanhado as reuniões realizadas pela Comissão Mista e irá participar de todos os eventos em que serão tratadas as mudanças na lei. No final de agosto o presidente Neurilan Fraga participou de audiência pública em Brasília, em que consultores do Senado apresentaram um levantamento das perdas brutas e líquidas que cada estado acumula com a lei. De acordo com os consultores, Mato Grosso apresenta uma das maiores perdas líquidas decorrentes das desonerações.

No ano passado o Supremo Tribunal Federal - STF estabeleceu prazo até 30 de novembro para que o Congresso regulamente a Lei Kandir. Se não for aprovada uma norma com esse objetivo até essa data, o Tribunal de Contas da União - TCU ficará responsável por fazer os cálculos da compensação, que atualmente é feita por meio do Auxílio Financeiro de Fomento às Exportações (FEX), mas é considerada irrisória.

Neurilan destacou que, desde 2015, quando assumiu a direção da AMM, a instituição está trabalhando em uma proposta de mudança da lei.  Ele ressalta que, naquele momento ninguém acreditava que pelo menos fosse possível discutir mudanças na legislação. “Quero ressaltar o apoio e a parceria que fizemos com o senador Wellington Fagundes, que acreditou no nosso pleito. Foram inúmeros desafios para chegar nesse estágio, em que uma Comissão Mista do Congresso Nacional está discutindo a compensação financeira que os estados e os municípios exportadores de produtos primários terão direito por conta da desoneração do ICMS devido à comercialização com outros países”, frisou.

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