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Página - Comissão da Câmara vai analisar propostas que modificam Lei Kandir

Comissão da Câmara vai analisar propostas que modificam Lei Kandir

Efeito de Onda

Página Comissão da Câmara vai analisar propostas que modificam Lei Kandir

  • 05/05/2017 às 09:06

Fonte: Agência CNM

Crédito: Freepik

Na última quarta-feira, 3 de maio, foi instaurada a comissão especial que ficará responsável por avaliar as propostas de alteração da Lei Kandir. O texto analisado será o Projeto de Lei Complementar (PLC) 221/1998 e seus diversos apensados. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) lembra dos impactos da Lei aos gestores locais e revela quanto deixou de ser recebido ao longo dos últimos anos.

O colegiado será presidido pelo deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) e terá como relator o deputado José Priante (PMDB-PA). Como nota a entidade, a Lei Kandir desonerou o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas exportações de produtos primários e industrializados semielaborados. A medida atingiu em cheio as finanças estaduais e municipais, uma vez que 25% do ICMS pelo Estado é repassado aos Municípios.

À época, o governo federal assegurou a Estados e Municípios uma compensação para garantir a manutenção de ambos os Entes federados. Além da compensação prevista na Lei Kandir, em 2004, o governo federal criou um dispositivo para promover o esforço exportador e complementar às exportações já previstas. Ele foi chamado de Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX). Porém, a CNM destaca que, desde 2009, os valores da Lei Kandir e do FEX estão congelados em R$ 1,5 bilhão e R$ 1,9 bilhão por ano, respectivamente.

Como funciona a partilha
A distribuição desses recursos para cada um dos Estados é feita de acordo com coeficiente previamente determinado para cada um deles. Esses coeficientes foram fixados ainda em 1996, e desde então, não tiveram qualquer atualização de acordo com a atividade exportadora dos Estados.

Já as compensações feitas via FEX, têm seus coeficientes de partilha estabelecidos em medida provisória publicada anualmente que divulga também o montante a ser repassado naquele ano.

Estudo CNM
Diante da importância do tema aos gestores municipais, a Confederação vem acompanhando de perto os reflexos da Lei Kandir. Um dos estudos elaborados pela entidade revela que, nos últimos 10 anos, o Brasil exportou mais do que R$ 4 trilhões. Se as desonerações de ICMS não ocorressem, a arrecadação desse tributo no período mencionado seria de aproximadamente R$ 718 bilhões.

Considerando que os Municípios brasileiros têm direito a 25% do valor arrecadado com esse Imposto, os cálculos apontam um verdadeiro rombo nas contas locais. Nos últimos 10 anos, cerca de R$ 179 bilhões deixaram de chegar às prefeituras e R$ 539 bilhões aos Estados. O cálculo da possível arrecadação de ICMS usa como proxy o montante efetivamente exportado e ignora possíveis alterações que as desonerações possam causar nas exportações.

Próximos passos
A entidade apresentará os dados obtidos com as pesquisas junto à comissão especial formada na Câmara dos Deputados. O intuito é sensibilizar os parlamentares e obter o ressarcimento devido aos Estados e Municípios.

No Senado Federal, a CNM articula com o Senador Wellington Fagundes em defesa do Projeto de Lei (PL) 288/2016. A matéria garante a esses Entes federados a compensação no montante das perdas sofridas com a desoneração das exportações e dos bens destinados ao ativo permanente.

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