Página - Aumento do salário mínimo impacta nas contas das prefeituras
Aumento do salário mínimo impacta nas contas das prefeituras
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Crédito: SXC.hu
O Governo Federal adotou nos últimos anos uma política de aumento de renda via aumentos reais do salário mínimo. Esta política se mostrou bastante salutar à população, mas causa problemas de caixa às prefeituras brasileiras, por que pressiona fortemente as folhas de pagamentos principalmente em regiões do país aonde os municípios têm baixa arrecadação e maior parte dos funcionários pagos pelo piso nacional. O salário cumpre duas funções principais. É utilizado como piso salarial, pelo menos para os empregados formais, funcionários públicos e os trabalhadores com carteira de trabalho assinada, e como piso para aposentadorias e outros benefícios sociais.
Conforme dados da Confederação Nacional de Municípios, o acréscimo à folha de pagamento dos municípios previsto para 2016 é aproximadamente de R$ 2,219 bilhões no ano. Desse montante, R$ 417,7 milhões são gastos com encargos trabalhistas. O aumento do salário para 2017 foi de R$ 57 equivalente a 6,48% de crescimento em relação ao pago em 2016. A valorização do mínimo pode causar grande impacto para as finanças públicas municipais. Inicialmente, porque todas as aposentadorias e benefícios sociais tem como piso o salário mínimo.
A valorização também provoca um aumento de custos do estado com esses beneficiários. Além disso, as prefeituras, principalmente as de municípios de menor porte, tem um grande número de funcionários ganhando até um e meio salário mínimo e, com tal política, tem suas despesas com pessoal aumentadas progressivamente. O impacto fiscal ocorre de maneira permanente, pois é vedada qualquer possível redução nominal de remuneração.
A cada ano, quando o Governo Federal e o Congresso Nacional validam esses reajustes reais no salário mínimo, os cofres municipais sofrem com crescimento das despesas com gasto de pessoal. O maior problema dessa política é que a mesma não conta com a designação de uma fonte de custeio e não dá espaço para nenhuma possibilidade de intervenção do gestor. O impacto total incluindo os custos com encargos patronais, 13º salário e férias, para os municípios do Estado do Mato Grosso será por volta de R$ 27,2 milhões. Esse aumento vem diante da estagnação econômica e aos planos de ajuste fiscal que o governo federal e alguns governos estaduais que estão em prática.
A desaceleração econômica que o país se encontra atinge em cheio as transferências legais e constitucionais, a redução de transferências voluntárias, o repasses para o financiamento da saúde e a principal fonte de renda dos municípios, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Esse cenário se aplica a inúmeros municípios que já estavam com dificuldades financeiras antes da crise, principalmente os municípios de pequeno porte, muitos deles completamente dependentes do governo federal. E importante salientar que nestas localidades o poder público municipal quase sempre é o maior empregador, por isso está maioria de funcionários recebendo até 1 ½ salário mínimo.
A Confederação Nacional de Municípios informa que sempre apoiou a política de aumento da renda via crescimento real do salário mínimo, mas em todas as medidas provisórias com os reajustes, apresentou emendas ao projeto para a criação de um Fundo de Compensação para os municípios mais impactados, por acreditar que aqueles que mais sofrem problemas são os municípios com poucas possibilidades financeiras e orçamentárias e aonde o município é o grande indutor da economia local.
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