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Página - Ajuste fiscal foi prioridade do Senado no primeiro semestre

Ajuste fiscal foi prioridade do Senado no primeiro semestre

Efeito de Onda

Página Ajuste fiscal foi prioridade do Senado no primeiro semestre

  • 22/07/2016 às 09:21

Fonte: Agência Senado

Crédito: Agência Senado

O ajuste fiscal e a racionalização da gestão pública, considerados centrais para a resolução da crise econômica do Brasil, estiveram entre os principais temas debatidos no Senado no primeiro semestre. Quatro projetos de lei, em especial, representaram os esforços dos senadores para abordar a questão.

Lei de Responsabilidade das Estatais foi aprovada em junho. Originada de projeto elaborado por uma comissão mista (PLS 555/2015), ela estabelece normas de governança corporativa e regras para compras e licitações a serem seguidas pelas empresas públicas e sociedades de economia mista — tanto da União quando dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

O texto determina que as estatais deverão adotar práticas de governança e controles proporcionais à relevância, à materialidade e aos riscos do negócio. Também terão que divulgar, anualmente, carta com os objetivos de políticas públicas, além de dados operacionais e financeiros que evidenciem os custos da atuação. A comissão mista que elaborou o projeto concluiu que havia uma falta de regras que gerava insegurança jurídica e impedia a atuação de órgãos de controle.

Conselhos de administração

As principais polêmicas durante a tramitação do projeto envolveram dois pontos específicos: a previsão de que todas as estatais se convertessem em sociedades anônimas (com capital misto, entre público e privado) e a proibição de que dirigentes sindicais ocupassem postos nos conselhos de administração.

Senadores que se opuseram a essas regras argumentaram que o capital misto seria o primeiro passo para a privatização de estatais e que a vedação a dirigentes sindicais seria uma “criminalização” da atividade, além de inconstitucional. A exigência de sociedade anônima foi retirada para a as empresas públicas, sendo aplicada apenas às sociedades de economia mista. A regra sobre os conselhos, porém, foi mantida no texto.

Pré-sal

Em fevereiro, o Senado aprovou também o projeto de lei que retira da Petrobras a obrigação de participar da exploração do pré-sal (PLS 131/2015). De autoria do senador licenciado José Serra (PSDB-SP), o texto ainda está sendo analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta é que o Conselho Nacional de Política Energética ofereça à Petrobras a exploração mínima de 30% em cada campo. A empresa se manifestará se aceita ou não a responsabilidade — que hoje é obrigatória.

Em defesa do projeto, Serra argumentou que o objetivo é fortalecer a Petrobras, que está endividada e sem condições de investimento, segundo o senador. Ele destacou que a proposta alivia a empresa de uma obrigação que ela não pode mais arcar, mas mantém o seu poder de decisão.

Críticos do projeto contrapuseram que ele representa um risco à soberania nacional e uma mudança “inoportuna” no marco regulatório do pré-sal. Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), por exemplo, o projeto significaria entregar as reservas brasileiras para multinacionais e criaria obstáculos para que a Petrobras se recuperasse da sua crise com mais investimentos.

Fundos de pensão

O Senado aprovou ainda a criação de regras para a gestão dos fundos de pensão das estatais (PLS 388/2015). O texto pretende dificultar a influência de partidos políticos na indicação de dirigentes e conselheiros e estabelecer mecanismos para profissionalização, delegação clara de atribuições e transparência nas relações entre gestores dos fundos, participantes e sociedade. O projeto está na Câmara.

O texto aprovado foi um substitutivo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que defendeu a iniciativa com base em recentes escândalos de uso político do caixa dos fundos de pensão de empresas como os Correios, a Petrobras, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Ele inclui pré-requisitos para conselheiros e diretores executivos dos fundos, como não ter exercido atividades político-partidárias nos 24 meses anteriores à nomeação. Ele também insere conselheiros independentes nos órgãos.

Outro projeto aprovado foi a criação da Instituição Fiscal Independente (IFI), um novo órgão que prestará consultoria econômica ao Senado. A iniciativa foi da Mesa Diretora e, por tratar-se de um projeto de resolução interno, já seguiu para promulgação pelo presidente Renan Calheiros. A ideia é que a IFI aprimore os mecanismos de avaliação e controle social da política fiscal.

O órgão será dirigido por um conselho diretor com três membros, indicados pela Presidência da casa e pelas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Ele terá como atribuições divulgar estimativas de cenários fiscais e orçamentários, analisar o desempenho de indicadores fiscais e o verificar o cumprimento da meta fiscal, entre outras.

Limite a gastos

O Senado já prepara a apreciação de outros projetos relacionados ao equilíbrio das contas públicas e ao aprimoramento da gestão. O principal deles é a PEC 241/2016, que limita o crescimento dos gastos do governo de um ano para outro à mesma proporção do aumento da inflação.

A proposta ainda está na Câmara dos Deputados, mas é considerada importante pelo presidente Renan Calheiros e deve receber tratamento prioritário quando chegar ao Senado. No entanto, Renan defendeu que a matéria só seja deliberada depois da conclusão do processo de impeachment — a partir do final do mês de agosto — em razão da interinidade do governo até lá.

Um texto que pode ser analisado mais cedo, ainda em agosto, é o projeto da Lei Geral das Agências Reguladoras (PLS 52/2013). Ele unifica as regras sobre gestão, poder e controle social das agências e exige prestação de contas anual ao Congresso. O projeto integra a Agenda Brasil e está na Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional, onde é relatado pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS).

Também em agosto deve ser votado o projeto que legaliza e regulamenta os jogos de azar no país (PLS 186/2014). Ele estava na pauta do Plenário para as últimas semanas de votação, mas foi retirado a pedido do relator, senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que solicitou mais tempo para discutir a proposta com a Polícia Federal e o Ministério Público.

Outras propostas que o Senado pode apreciar no próximo semestre são a taxação de heranças (PEC 96/2015), elencada como prioridade pelo presidente Renan Calheiros, e a autonomia do Banco Central (PEC 43/2015), que já foi defendida pelo novo presidente da entidade, Ilan Goldfajn.

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