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Cooperativismo mineral amplia arrecadação e fortalece mineração formal em Mato Grosso
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Página Cooperativismo mineral amplia arrecadação e fortalece mineração formal em Mato Grosso
Modelo baseado em cooperativas reúne mais de 5,5 mil trabalhadores, aumenta a arrecadação mineral do estado e aposta em práticas de recuperação ambiental, rastreabilidade e ações sociais
Crédito: Assessoria
A mineração artesanal organizada por cooperativas vem ganhando espaço em Mato Grosso e contribuindo para a formalização de uma atividade historicamente marcada pela informalidade e por desafios ambientais. Dados do cooperativismo mineral apontam crescimento da arrecadação, aumento da produção formalizada e ampliação de ações voltadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento social.
Segundo o Anuário do Cooperativismo Matogrossense 2025, o segmento reúne 13 cooperativas registradas no Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso (OCB/MT), com aproximadamente 5,5 mil cooperados. Em 2024, o setor movimentou R$ 144,1 milhões, registrando crescimento de 47,02% nas receitas em relação ao ano anterior.
Além da movimentação econômica, as cooperativas minerais responderam por R$ 27 milhões da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), valor correspondente a 16,89% da arrecadação mineral de Mato Grosso. No primeiro trimestre de 2026, essa participação chegou a 32,79%, segundo dados do setor.
Para o superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, o avanço da mineração cooperativista demonstra a possibilidade de conciliar atividade econômica com responsabilidade ambiental e social.
“A mineração cooperativista mostra que desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem caminhar juntos. Quando organizada dentro do sistema cooperativista, a atividade gera prosperidade com inclusão, legalidade e compromisso social”, afirmou.
Rastreabilidade e controle da produção
De acordo com a Federação das Cooperativas de Mineração do Estado de Mato Grosso (Fecomin), a comercialização por meio das cooperativas fortalece o controle sobre a origem dos minerais extraídos.
Segundo o presidente da entidade, Gilson Camboim, as cooperativas comercializam a produção por meio de Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMs), com emissão de notas fiscais e identificação de vendedores e compradores.
O modelo também facilita o cumprimento das exigências de órgãos reguladores e ambientais, como a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT).
Experiência em Peixoto de Azevedo
No município de Peixoto de Azevedo, a Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (Coogavepe) adotou mudanças nos processos produtivos para reduzir impactos ambientais.
A cooperativa substituiu o uso de mercúrio por técnicas de gravimetria, utilizando mesas vibratórias e calhas concentradoras para a separação do ouro. A medida reduziu riscos de contaminação do solo, da água e da saúde dos trabalhadores envolvidos na atividade.
Além da extração mineral, a Coogavepe mantém um viveiro de mudas destinado à recuperação de áreas degradadas e ao apoio de projetos ambientais nos municípios da região. As espécies produzidas são utilizadas em ações de reflorestamento, recuperação ambiental e paisagismo urbano.
Ações de saúde e apoio social
Outra iniciativa desenvolvida pela cooperativa é o Projeto Saúde do Garimpeiro, realizado em parceria com municípios e com o governo estadual.
A ação leva atendimento médico, vacinação, exames preventivos e orientações de saúde para trabalhadores que atuam em áreas de difícil acesso. Segundo a cooperativa, o programa alcançou praticamente todos os cooperados que trabalham em frentes de lavra.
Além do atendimento à saúde, também são realizadas campanhas de doação de sangue, ações de logística reversa de resíduos eletrônicos e projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Impacto para os municípios
O fortalecimento da mineração cooperativista tem reflexos diretos nos municípios onde a atividade está presente. Entre os principais impactos estão:
* aumento da arrecadação da Cfem, recurso compartilhado com municípios produtores;
* ampliação da formalização da atividade mineral;
* geração de emprego e renda em regiões de garimpo;
* fortalecimento das ações de recuperação ambiental;
* expansão de projetos sociais e de atendimento à saúde em áreas remotas.
A evolução dos indicadores do setor mostra uma tendência de crescimento da mineração organizada por cooperativas em Mato Grosso, com maior controle da cadeia produtiva e ampliação da participação na arrecadação mineral estadual.
Comunicação Social AMM
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